Sector da saúde continua sob pressão em Moçambique

O sector da saúde em Moçambique continua a enfrentar um dos períodos mais delicados dos últimos anos, marcado por greves prolongadas, falta de medicamentos, escassez de equipamentos hospitalares e reclamações constantes dos profissionais de saúde. Hospitais e centros de saúde em várias províncias registam dificuldades no atendimento, enquanto milhares de pacientes enfrentam longas filas e atrasos nas consultas.

A crise voltou a ganhar destaque esta semana depois de associações ligadas aos profissionais de saúde reafirmarem a continuidade das paralisações e denunciarem o agravamento das condições de trabalho nas unidades sanitárias do país.

Greves e falta de condições aumentam tensão

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) afirma que muitos trabalhadores continuam insatisfeitos com o pagamento parcial do 13.º salário, atrasos nas horas extraordinárias e falta de melhores condições de trabalho. Segundo a organização, existem hospitais onde faltam materiais básicos, medicamentos e até equipamentos de protecção individual.

Os profissionais denunciam ainda jornadas excessivas, sobrecarga de trabalho e escassez de recursos para atender pacientes. Em algumas unidades sanitárias, consultas consideradas simples estariam a ser marcadas para vários meses depois devido à elevada procura e falta de capacidade de resposta.

A situação tem preocupado cidadãos e organizações da sociedade civil, que alertam para o risco de agravamento da crise sanitária caso não haja entendimento rápido entre o Governo e os profissionais do sector.

Governo pede diálogo e promete soluções

Perante a pressão crescente, o Governo moçambicano apelou ao diálogo e garantiu que algumas medidas estão em curso para melhorar a situação. Entre as promessas apresentadas estão o pagamento gradual das horas extras, progressões nas carreiras e reforço do fornecimento de medicamentos para hospitais públicos.

No entanto, representantes da APSUSM afirmam que os compromissos assumidos ainda não produziram resultados concretos, razão pela qual ameaçam avançar para novas fases de greve e até paralisações totais em determinadas unidades sanitárias.

Enquanto isso, pacientes continuam a enfrentar dificuldades diárias para conseguir atendimento médico, principalmente nas zonas mais afectadas pela falta de profissionais e recursos hospitalares.

Sistema Nacional de Saúde enfrenta momento crítico

Especialistas consideram que a crise actual revela problemas estruturais antigos no Sistema Nacional de Saúde, incluindo insuficiência de investimento, falta de infra-estruturas modernas e crescimento da procura por serviços médicos.

Apesar dos desafios, muitos profissionais continuam a trabalhar em condições consideradas difíceis para garantir o funcionamento mínimo das unidades sanitárias. A expectativa agora é que as negociações entre Governo e sindicatos possam reduzir a tensão e evitar um colapso ainda maior no atendimento hospitalar em várias regiões do país. 

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